Parido Comunista Português
Sons e vozes de África contra o racismo

Sons e vozes de África contra o racismo

Direcção Musical Rolando Semedo

A música africana coloca, por definição, um desafio ao racismo. Em primeiro lugar, por refletir no som e nas palavras o facto de ser proveniente do continente que mais sofreu com a exploração desumana e desenfreada promovida, durante séculos, pelo imperialismo e pelo colonialismo, europeu e norte-americano.

Em segundo lugar, por os seus povos terem sido vítimas da terrível ideia de que as sociedades se deviam organizar em função de uma suposta supremacia branca, violência que moldou, por antítese, a história desta expressão artística. Em terceiro lugar, por boa parte da música que hoje domina cultural e comercialmente o mundo ocidental resultar de uma evolução direta da música de raízes africanas, mãe ou avó de inúmeros géneros como o blues, o samba, o jazz, o rock, o hip hop e, até, possivelmente, o fado.

Num momento em que se mobilizam protestos contra a violência, a discriminação e o abuso sobre negros; num momento em que a difusão da gravação em vídeo do assassinato, na via pública, pela polícia, do norte-americano George Floyd despertou o movimento ant-racista nos Estados Unidos da América e em boa parte do mundo; no momento em que em Portugal somos confrontados com a componente racista do assassinato do ator Bruno Candé; num momento em que vozes racistas com espaço nos lugares do poder e nas tribunas da comunicação social procuram normalizar a aceitação do racismo; a Festa do “Avante!” programou, com a direção musical de Rolando Semedo, a noite de abertura do Palco 25 de Abril com um conjunto de artistas com origens em países afrficanos de língua oficial portuguesa, que irão refletir nos seus espectáculos o anti-racismo da música que criam, não só pela condenação direta desse crime contra a humanidade, mas também por serem herdeiros de músicas e culturas de povos que sofreram e sofrem o preconceito rácico e, ao mesmo tempo, influenciaram e influenciam a criação artística musical de todo o planeta. Como diz Rolando Semedo: “na música, as tonalidades não têm cor”.

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