Auto da Índia de Gil Vicente

Folia apresenta

Auto da Índia de Gil Vicente

Teatro


Sábado, 7

11:00, Avanteatro, Palco

com música original e executada por João Lima 
Com: Diogo Vaz Cavaleiro
João Lima
José Henrique Neto
Duração do espetáculo: cerca de 45 minutos 
Produção: Folia Etcetera, Lda 
Sinopse / Nota de encenação

Duas matrafonas enormes sobre andas manipulam literalmente as personagens masculinas, retratadas por marionetas.

Nesta primeira farsa portuguesa de 1509. justamente de leitura rec-mendada para o 9o ano, Gil Vicente satiriza a perturbação dos costumes e a sangria de ho- mens válidos causadas pela miragem de enriquecimento fácil no Oriente. Sendo do teatro, em vez de se explicar, cria uma situação. Retrata uma mulher deixada pelo marido com casa posta e rédea solta nos três anos da torna-viagem à Índia. Esperta e viçosa, ajuda-se da sua criada para se divertir jogando entre amantes. Quando o marido regressa de uma viagem árdua e de pura perda, manobra-o com igual desenvoltura. Para Gil Vicente, tradicionalista, esta mulher em posição dominante epitomiza um novo «mundo às avessas». Ironicamente chama-lhe Constança.

Por outro lado, as sucessivas leis sumptuárias que tentaram refrear o gosto ruinoso pelo luxo e ostentação – alvo frequente da sátira vicentina – acabaram por regulamentar e definir, desde os tecidos às cores, o que uma pessoa podia vestir em conformidade com a sua classe social, profissão, sexo, etc. 
O hábito fazia o monge!

É sobre estes aspectos que assenta a dramaturgia desta encenação, que, conjuga uma leitura fiel do texto com diversas técnicas de manipulação – dos robertos às marionetas de varão do tipo dos bonecos de Santo Aleixo – e com outros elementos bem enraizados na tradição como os gigantones, as matrafonas e a guitarra portuguesa, recuperando um espirito vicentino desempoeirado, audaz e divertido, capaz de cativar estudantes, eruditos e o público em geral. Estreado em Abril de 2018, já foi apresentado no Palácio Nacional de Sintra e no Festival Marionetas na Cidade de Alcobaça, tendo sido objecto também de um documentário na RTP África.

José Henrique Neto 

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