Festa do Avante! 2017 - 1, 2 e 3 de Setembro - Atalaia | Amora | Seixal

O Meu País é o que o Mar Não Quer # Exílio(S) 61/74

Teatro

Ricardo Correia | Casa da Esquina

Texto e Encenação Ricardo Correia

Interpretação Hugo Inácio, Celso Pedro, Marta Nogueira, Miguel Lança e Sara Jobard

Assistência de encenação Sara Jobard

Desenho de som Emanuel Botelho

Direção técnica e desenho de luz Jonathan de Azevedo

Espaço Cénico, Figurinos e Adereços Filipa Malva

Vídeo Rui Gaspar

Investigação, Dramaturgia e Documentação Sara Jobard, Joana Brites, Hugo Inácio, Celso Pedro, Marta Nogueira, Miguel Lança, Emanuel Botelho, Rui Gaspar, Filipa Malva e Ricardo Correia

Responsável de Produção Cláudia Morais

Fotografia Carlos Gomes

Design Joana Corker

Produção Casa da Esquina – Associação Cultural

Coprodução TAGV

Estreia 13 Maio (Arganil), inserido no festival Outras vozes outras gentes da COOPERATIVA HERMES.

Faixa etária M/12

Duração 60 minutos

Apresentação do Projeto

1. O Meu País é o Que o Mar Não Quer # Exílio(s) 61/74.

2. Antes de falar deste novo projeto dou dois passos atrás. Tudo começou com o espetáculo O Meu País é O Que o Mar Não Quer # 2012-2015 em que fizemos uma investigação sobre as razões da saída de Portugal da minha geração (tenho 39 anos). Foram os anos sombrios e austeros da Troika em Portugal.

3. Eu saí, como muitos outros (por pouco tempo). Mas não desisti de Portugal.

Procurei compreender quais os mecanismos para lutar lá fora sem me desligar do meu país de origem.

4. Esse espetáculo foi baseado em testemunhos e se em 2012/2015 a geração entre os 20-35 estava de saída de Portugal. E durante o espetáculo ficámos a saber que muitos deles tiveram casos de emigração na família – o avô que foi a Salto para frança, o bisavô para o Brasil. Outros que optaram por não compactuar com a guerra e o fascismo e deixaram o país. A cada espetáculo fomos recolhendo mais testemunhos que nos levaram a querer ir um pouco mais atrás.

5. Hoje, em 2017, iniciamos a primeira parte do projeto Exílio(s) 61/74. Que, como uma boneca russa, procura desvendar o interior desse viver português, deste ciclo migratório que tem a sua origem vários séculos antes, em que o futuro era lá fora.

6. Para este novo espetáculo recolhemos testemunhos de quem tinha saído de Portugal entre 61/74 como Emigrante |Desertor| Refugiado| Refratário |

Exilado. E deparámo-nos com um caminho que nos levou a investigar a fuga como um gesto de protesto contra a Guerra Colonial e o Fascismo, como um mecanismo de luta. Tal como o Horáricos e Curiácios de Bertold Brecht, a  fuga como uma estratégia para ganhar fôlego e armas e cansar o inimigo.

7. O que leva a alguém sair do seu país? Como se luta lá fora quando não nos deixam viver no nosso país? Como se pode perdoar quem nos deixou sem outra saída?

8. Com este novo espetáculo a tentativa é de reconstruir essa memória e os seus mecanismos para compreender o presente. Porque é que hoje ainda não falamos abertamente da Guerra Colonial? Porque é que deixamos apagar a memória e construir condomínios privados ou hotéis onde antes houve sedes da PIDE ou prisões como a de Peniche? Porque é que temos todos os dias de nos lembrar do passado para saber construir o futuro?

9. “A história é como um mito, como um espelho onde se pode ler aquilo que foi o passado e aquilo que nos espera” Eduardo Lourenço

10. Este espetáculo é um comentário sobre o passado. Feito com testemunhos de quem ousou um gesto contra o regime Fascista. Com saltos na memória. Registamo-la para lidar com ela. Para saber quem somos. Como chegámos até aqui e o que ainda podemos ser.

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