Unpublished

Homenagem a Álvaro Cunhal

Álvaro Cunhal participou em muitas edições da Festa do «Avante!». Na maioria delas, deixou uma forte marca, com as suas intervenções políticas, quer as que fez enquanto Secretário-geral do Partido quer na qualidade de presidente do Conselho Nacional. Oito anos depois do seu desaparecimento, a 37.ª edição da Festa do Avante! ficará indelevelmente marcada pelas comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, que se assinala este ano em todo o País sob o lema «Vida, pensamento e luta: exemplo que se projecta na actualidade e no futuro».

O Espaço Central terá patente uma imponente exposição evocativa, a grande noite de sexta-feira no palco 25 de Abril ser-lhe-á dedicada e o Avanteatro apresentará, nos três dias, o espectáculo «Um Dia os Réus Serão Vocês: o Julgamento de Álvaro Cunhal», da Companhia de Teatro de Almada. O Cineavante e o espaço das Artes Plásticas terão igualmente elementos de homenagem e a JCP dedica-lhe uma iniciativa inovadora e criativa.

Sexta-feira, 6 de Setembro, 22 horas
Concerto sinfónico

Orquestra sinfonietta de Lisboa, com Vasco Azevedo (maestro) e Pedro Burmester (solista) interpretam:

João Domingos Bomtempo: sinfonia n.º 1 em Mi Bemol, Opus 11, 1.º Andamento
Ludwig van Beethoven: Concerto n.º 5 (imperador) em Mi Bemol Maior para piano e orquestra, Opus 73,1.º andamento
Igor Stravinsky: Sagração da Primavera - 100 anos da estreia, a 29 de Maio de 1913 no Théatre des Champs Elisées

Grande exposição no Espaço Central

O Espaço Central da Festa do Avante! terá este ano uma única grande exposição, evocativa do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal. Esta mostra, semelhante à que esteve patente durante mais de um mês no Pátio da Galé, em Lisboa, e que foi visitada por mais de 20 mil pessoas, aborda as diversas vertentes de um percurso ímpar e multifacetado, dando a conhecer o homem, o revolucionário, o dirigente comunista, o teórico do marxismo-leninismo, o intelectual, o artista. E, com ele, o Partido Comunista Português, de que foi o mais destacado construtor, e a própria luta de décadas do povo português contra o fascismo, pela democracia, o progresso e a soberania.

Para além dos textos impressos nos painéis, a exposição recorre a imagens de época, registos vídeo e áudio, documentos originais (muitos deles raras vezes vistos) e objectos simbólicos. Ali, mais do que o percurso de um homem, estará a história de Portugal do século XX e do início do século XXI – a gesta de um povo pela sua libertação da mais longa ditadura da Europa, que soube encetar o caminho da mais avançada das democracias, tendo no horizonte a construção do socialismo.

«Um dia os réus serão vocês» no Avanteatro
A defesa acusa

Nos três dias da Festa, será apresentado no Avanteatro o espectáculo da Companhia de Teatro de Almada «Um dia os réus serão vocês: o julgamento de Álvaro Cunhal», que recria um dos momentos mais marcantes da resistência antifascista portuguesa – a defesa que Álvaro Cunhal fez no Tribunal Plenário em Maio de 1950. Sozinho perante um inimigo infinitamente mais poderoso, e no terreno deste, Álvaro Cunhal fez uma implacável acusação do fascismo, dos seus métodos e objectivos, e uma notável defesa do Partido Comunista Português, da sua luta e dos seus propósitos.

No espectáculo, encenado por Rodrigo Francisco a partir de uma ideia original de Joaquim Benite, o actor Luís Vicente interpreta Álvaro Cunhal em situações como o momento da sua prisão, o longo isolamento a que foi sujeito e as formas encontradas para o enfrentar, como a ginástica ou a pintura. Mas a maior parte do tempo é dedicado à defesa em tribunal, sendo o texto apresentado no espectáculo um excerto da intervenção original de Álvaro Cunhal, com um conteúdo particularmente actual: a submissão do País ao estrangeiro e o definhamento da produção nacional são traços marcantes do discurso que, com algumas nuances, poderia ser proferido hoje.

Juventude com o destino nas mãos

A JCP também vai evocar o centenário do nascimento de Álvaro Cunhal na Festa do Avante!, quer na Cidade da Juventude quer num conjunto de iniciativas que aí levará a cabo. Uma primeira iniciativa é a divulgação do CD «Nas nossas mãos os destinos das nossas vidas», em que a partir desta frase de Álvaro Cunhal 17 bandas se associaram para transpor para a música a luta da juventude pela necessária transformação do País e do mundo. O número de bandas escolhido para integrar este CD relaciona-se com a idade de Álvaro Cunhal quando tomou a decisão de aderir ao PCP.

Com o mesmo mote, o concurso de bandas que culmina no Palco Novos Valores, é também uma forma de homenagear o homem, o comunista, o intelectual e o artista que consagrou tanto da sua vida à luta pelos direitos da juventude e pela democratização da cultura – tal como faz a JCP com este concurso que, ano após ano, dá oportunidade às jovens bandas portuguesas de mostrarem o seu trabalho.

O tema da brigada de contactos será também a mesma frase de Álvaro Cunhal, a partir da qual se procurará incentivar a juventude presente na Festa a lutar pelos seus direitos e a dar o decisivo passo de aderir à JCP. A JCP fará ainda um grande esforço para promover e mobilizar para o concerto da JCP e para o comício do Campo Pequeno, em Lisboa, a realizar respectivamente a 9 e 10 de Novembro, inseridos no centenário do nascimento de Álvaro Cunhal.

O Agit, jornal da JCP, dará continuidade à abordagem de importantes vertentes da vida, pensamento e luta de Álvaro Cunhal.

Artes plásticas

Em ano de bienal, as Artes Plásticas não deixam de assinalar a componente artística de Álvaro Cunhal, autor de diversos desenhos e pinturas elaborados durante o seu longo cativeiro na década de 50 do século passado. Neste espaço, situado junto ao Pavilhão Central estarão patentes diversos originais de Álvaro Cunhal, alguns dos quais muito pouco conhecidos.

Cineavante!

O filme «Cinco Dias, Cinco Noites», de José Fonseca e Costa, com Paulo Pires e Vítor Norte, estará em destaque na programação deste ano do Cineavante. Trata-se da adaptação ao cinema da novela homónima de Manuel Tiago/Álvaro Cunhal, que trata a relação entre um jovem revolucionário e o contrabandista que o ajudará a passar clandestinamente a fronteira.